segunda-feira, 2 de outubro de 2017

cruzeiro, 116

Cruzeiro é contrapeso para a minha loucura, um antídoto para o meu caos, um remédio para o cansaço, o silêncio para os meus ouvidos. Cruzeiro é a minha terra e ir pra lá é sempre uma forma de voltar a respirar dentro do compasso, respeitando o tom. Volto diferente de lá, volto mais simples e, por isso, mais forte.

É onde reabasteço a minha ternura, onde esqueço o que me aborrece, onde converso sem pressa, sentado no meio-fio da calçada quase sempre, é onde sou imune as horas e onde o vermelho do semáforo é apenas o vermelho do semáforo. É lá onde a comida tem o gosto da infância, onde esvazio a cabeça e encho o coração, é onde a vida fica mais perto de ter um sentido.

Cruzeiro da minha gente simples, mas de cabeça erguida.

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