quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

envelhecer é a arte de perder (ou nada disso)

Acordei ontem com uma dor nas costas que me roubou boa parte da agilidade que sempre andou de mãos dadas comigo. Foi complicado. Levantar da cama foi difícil, sentar no sofá foi algo que levava segundos a mais que o habitual e caminhar era quase um sacrifício. Doíam não só as costas, queimava a perna e chegava até no calcanhar. Um amigo médico me disse que os sintomas levavam a crer que se tratava de inflamação no nervo ciático.

Coisa de velho, eu sei…

Hoje eu amanheci bem melhor, praticamente sem dor e com boa parte da minha agilidade já recuperada. Mas o problema maior não é esse, meu amigo. É que, pela primeira na vida, senti o tempo pesar e, ao mesmo tempo, passar de uma forma ainda mais veloz.

Causa-me a impressão de que a dor me trouxe o primeiro alerta de que não sou mais tão jovem, de que meus movimentos não são tão mais ágeis, e que o tempo é, de fato, impiedoso quando chegamos a uma determinada curva da nossa caminhada. Bateu certa angústia, não vou mentir.

Talvez pelo fato de saber — agora de uma forma mais prática e menos poética — que não podemos tomar o tempo como nosso e que precisamos viver. Ou, quem sabe, seja a hora de pisar no freio para algumas coisas e acelerar em outras, de reduzir o cigarro, de aumentar o vinho, sei lá, de começar a dormir mais cedo, e de abrir as portas do coração para a raiva dar linha e fechar outras para o amor ficar.

Envelhecer deve ser um dos principais avisos que o tempo manda, um alerta para destrancarmos nossas agendas, nossas vidas, nossas vontades (por mais idiota que sejam). E a sensação de envelhecer, sem querer ser pessimista, é um pouco da arte de saber perder — o tempo, quem sabe, e outras tantas coisas que nem percebemos, como a agilidade que saltou aos olhos com a minha dor das costas.

Mas pode ser também que ela tenha sido apenas uma dor corriqueira e tudo isso que você acabou de ler seja uma nuvem de velhice passageira que pairou sobre mim. Vá saber…


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