sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

carta ao seu zé, meu avô

Vô querido, hoje vou fazer as vezes do senhor, que sempre me perguntava sobre as minhas idas e vindas São Paulo-Cruzeiro: fez boa viagem? Pegou algum trânsito chato igual ao que eu costumo pegar pela Dutra? Eu me arrisco a dizer que tudo deve ter corrido na mais perfeita paz, com pistas livres nos dois sentidos e ainda, de quebra, com paisagens que não estamos habituados a ver por aqui, diz aí? Aliás, eu imagino que o lugar onde o senhor está deva ser bem mais lindo que a nossa Serra da Mantiqueira, que o senhor conhece tão bem.

Mas não quero falar sobre isso agora, escrevo para lhe mandar notícias daqui.

Por aqui, vô, as coisas continuam do mesmo jeito, nada de novo. A Dilma, que o senhor tanto gosta (brincadeirinha, foi só pra descontrair), continua na corda bamba. Existem alguns rumores de um provável impeachment, mas eu não boto muita fé, não. Os deputados e senadores continuam saracoteando. Vira e mexe aparece uma conta surpresa de algum deles na Suíça com uns trocadinhos, mas está tudo certo.

Enfim, mas vamos falar de coisa boa? Vamos falar do Corinthians. Nosso time está bem no campeonato, está com a faca e com o queijo na mão pra levantar o sexto caneco do Brasileirão. Legal, né?! É merecido, o time está jogando muito — e não tem nada disso que estão falando por aqui, de ajuda da arbitragem, isso é intriga da oposição. O lado ruim do futebol é a nossa Seleção Brasileira, vô! Pede uma forcinha pra Deus aí, vô, por favor. Porque, olha, estamos correndo um sério risco de não participarmos da próxima Copa. A coisa está feia.

Sobre a nossa família, estamos todos bem, apesar da sua partida, é claro. Ficamos tristes, como não poderia ser diferente. Foram anos juntos, foram muitos almoços, cafés da tarde, Natais, é complicado. Mas o tempo e Deus irão curar tudo isso, temos certeza. A fé também é peça fundamental nisso. E o senhor sabe que fé é o que não falta, não é?! A vó está bem. Ela é um exemplo de fortaleza, confesso que até me surpreendi. A tristeza já era de se esperar, é normal, mas depois ela sai de cena pra dar lugar a uma saudade, digamos, saudável, dessas que não sangram tanto o coração.

Os filhos — sei que o senhor deve estar aflito para ter notícias — estão bem também. Minha mãe está forte, assim como as tias Lú e Silvinha e o tio Savinho. Acabei de ligar lá na casa da vó e fiquei sabendo que estavam todos reunidos, tomando um café. Não vou mentir: fiquei com muita vontade de estar lá — senti até o cheiro daquele café. Mas logo, logo eu vou voltar pra Cruzeiro e a primeira coisa que farei será passar na casa da vó pra me acabar comendo pão quente com manteiga.

Ah, antes que eu me esqueça: os bois do senhor estão bem, e aquele da cara branca, lembra?, anda se comportando direitinho e não está mais pulando a cerca. Vá entender…

Eu queria também aproveitar essa carta para dizer obrigado por tudo que o senhor fez pela gente e que foi muito ter vivido junto durante todo esse tempo. Aprendemos bastante sobre honestidade, família, amor e sobre simplicidade. Sua missão aqui foi cumprida, tenha certeza disso. O senhor foi o vô mais, mais — quase soltei um palavrão aqui, foi por pouco — fantástico que a vida poderia me dar. Valeu, vô, e fique bem aí. E mande lembranças a quem perguntar de nós! Amamos o senhor, seu Zé!

Beijo grande, do seu neto,

Vi

Nenhum comentário:

Postar um comentário