segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

o boteco

O boteco tem chão quadriculado e garçom engravatado. Tem samba e quadro. Tem papo. Retrato. Tem a bebida no balcão, gritos e porção:

- Mais um chope pra mesa quinze, amigão!

No boteco tem bêbados na calçada e conversas na esquina. Futebol na televisão e aviso, no banheiro, de não mije no chão! Tem a inspiração, a loucura no sorriso, a camisa desabotoada e nó afrouxado. Existem poetas, poetas loucos e loucos loucos apenas.

O boteco guarda segredos e vende a coragem – quase sempre engarrafada – contra o medo. É lá que se encontra o melhor antídoto contra tudo o que você precisar. Estão todos naquela prateleira. No boteco nada é proibido: nem sonhos nem amores – mesmo que durem até a ressaca do dia seguinte. Mas isso não vem ao caso agora.

Prefiro falar que lá tem o Val, o cara que sempre arranja um papel para as minhas ideias dançarem. Tem frango a passarinho. Bacons, fritas, queijos e outras tantas coisas que brilham. É no boteco que amores nascem e são brindados. É no boteco que amores morrem e as mágoas são afogadas. Fazer o quê? O boteco não passaria ileso por essa imperfeição da vida.

No boteco tem lousa. Escrito. E giz.

Garrafas vazias e copos cheios de sorriso. Tem o de esquerda, o de direita e aquele que prefere a mesa de centro. No boteco tem aquilo que nem eu ainda sei.

Mas que pena! O garçom já mandou avisar: estou indo embora! 

É nessa hora que o boteco, coitado!, chora.

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