sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

meu último cigarro

Brasília, meia noite. Despeço-me do último cigarro do maço com certa agonia. Algo difícil, quem fuma sabe do que estou falando. Dou a última tragada. Lenta, profunda e até que um pouco saborosa. Fecho os olhos e arremesso a bituca no cinzeiro grudado na parede. Pronto. Era o fim de mais uma carteira de cigarros.

Ué, mas isso é normal, você deve estar pensando aí. Acabou mais uma carteira. Ok. É hora, então, de passar em algum lugar e comprar outra. Seria simples se a minha intuição não tivesse tentado me avisar da saga que estaria a caminho naquela noite no planalto central.

Saio da festa e passo no primeiro bar que encontro. As portas estão pela metade. Agacho e entro mesmo assim. O homem do caixa me olha assustado. Calma, amigo, isso não é um assalto, fique tranquilo, aviso, com um sorrisinho bem sem graça na boca. Pergunto sobre os benditos. E ele, ainda assustado, responde que ali não vende mais.

Um pouco frustrado, sigo pela noite candanga.

Ali eu começara a perceber os sinais que a minha intuição havia me mandado. Continuo. Sigo à procura. Olho no relógio: uma da manhã. Saio da quadra novecentos e pouco e caio para a oitocentos e tantos. Encontro mais um bar. Parece um lugar bacana, penso. Casais se beijam. Amigos se abraçam. Ainda na calçada, perguntou ao garçom. Sim, claro!, me responde.

Entro aliviado. Peço o cigarro já com o dinheiro, contadinho, na mão.  Volto com o dinheiro pra carteira no segundo seguinte. Na saída, já quase desistindo, uma moça me avisa: ali, olha, naquele bar da esquina vende Marlboro. Nem pergunto se era o branco o vermelho. Agradeço e saio correndo.

Entro no bar e, antes de perguntar, já vejo a decepção me sorrindo. Prateleiras vazias. Pergunto se tem, apenas para desencargo de consciência. A resposta vem apenas como um balançar de cabeça. Volto para o hotel, decepcionado. 

A noite vai ser longa.

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