quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

e se todas drs fossem assim?

Temos que conversar por telefone, por e-mail, whatsapp ou sinal de fumaça, escreveu ela.

Depois de tudo, você acha que uma conversa por telefone, zap zap ou sei-lá-mais-o-que seria suficiente pra gente resolver o nosso futuro? Não seria melhor a gente conversar pessoalmente, olho no olho?

Ela ficou quieta por alguns segundos. E ele desceu e matou um cigarro com três tragadas implacáveis.

Voltou e nada.

????, ele mandou.

Ela desconversou.

Calcinha comestível. Foi o que respondeu.

Ansioso desde que era espermatozóide, ele não entendeu e mandou mais uma dúzia de interrogações.

É que tamo conversando sobre calcinha comestível aqui e as meninas estão tirando uma com a minha cara porque eu não conhecia

Legal... Mas e a gente? Como fica?

A mensagem foi visualizada. E só.
(você acha que ela responderia assim, fácil e de graça? ela sempre foi difícil!)

E ele desceu de novo. Fumou um cigarro – esse pela metade, porém, mais enfurecido.

Assim que voltou, nem abriu o chat. Foi ver as notícias do seu time na tentativa de esquecer por que ela não queria encontrá-lo.

De novo essa notícia?, pensou.

Não resistiu e voltou a cutucá-la. Ia mandar as interrogações, mas quis ser diferente dessa vez. Convidou-a para ver as luzes de Natal do parque.

Você é muito espertinho! Sabe que eu tô pra ir lá desde a semana passada e me chamou pra gente aproveitar pra conversar, né?! Não sou idiota, como você pensa.

Nossa, você é uma gênia, ou seria gênio. Foda-se o gênero. Mas, sim, você acertou. Quero conversar com você! Te contei uma novidade, né?!

Ela visualizou de novo. E só isso. De novo. Não respondeu.

Estão falando de calcinhas de novo aí?

Não! O assunto agora é segredo, não falo nem sob tortura.

Você não fala isso aí que não faço ideia do que seja nem sob tortura, mas torturar os outros você sabe... Meu, vamos conversar logo! Por que você faz isso comigo?

Eles foram se encontrar – ela se rendeu à insistência dele. Combinaram às sete horas, na frente de um posto de gasolina qualquer. Cumprimentaram-se com um beijo no rosto, algo simples e frio. Pararam numa rua quase vazia. E começaram a conversar. Tentaram, melhor dizendo.

No outro dia, ele recebeu uma mensagem. Era ela. 

Viu por que eu queria conversar por telefone, por e-mail, whatsapp ou sinal de fumaça?

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