terça-feira, 21 de outubro de 2014

terapia

Vou reclamar, sim: daquilo que não deu certo e da hora que passou depressa demais. Vou reclamar da saudade e da idade. Da ideia que não vingou, da merda que falou e do sentimento que zerou. Vou reclamar do voo que atrasou, do telefone que não tocou e dela, que não se tocou. Vou reclamar do garçom que não me ouviu e do gol que meu time levou – mais que puta que pariu! Vou reclamar da segunda triste e da sexta sem graça, do domingo pijama e do sábado sem brilho. Vou reclamar dos erros, das palavras que não deveriam ter sido ditas e do silêncio que irrita. Vou reclamar da política, da falta de educação e das faltas: de saúde, de gentileza e daquela que não foi marcada dentro da área. Vou reclamar porque ela não sabe da missa a metade. Vou reclamar porque Raul também reclamou. Vou reclamar da tinta da caneta que acabou e da ponta do lápis que quebrou. Vou reclamar porque o sono se foi e o cansaço ficou assombrando. Vou reclamar do político que roubou e de você que não votou. Vou reclamar daquilo que esqueci e do que não bebi. Vou reclamar porque não era pura. Vou reclamar porque era mistura. Vou reclamar da morte ingrata e da vida sensata demais. E da loucura. E da doçura. Vou reclamar à noite e de dia. Vou reclamar porque reclamar é terapia.

E fim de papo.

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