sexta-feira, 31 de outubro de 2014

(mais um) papo sério com o amor

Ei, amor, é com você o papo hoje. Não olhe pro lado, não. É contigo mesmo que quero falar. Pelo pouquíssimo que conheço, imagino que já saiba qual seja o assunto. Não é você (vou te chamar de você, desculpa) que sabe das batidas do coração da gente, do frio na barriga e da mão que treme? Não é você o cara que orquestra os sentimentos, a vontade de ligar, a vontade de esperar, a vontade de beijar e a saudade?

Então, é com você mesmo que quero falar.

Pra começar: por que você, às vezes, joga baixo com a gente? Fica falando pro coração que a gente não vai mais conseguir viver sem aquela pessoa que foi embora. Por que a maldade? O coração acredita nessas coisas e, depois, quem paga a conta é a gente. É você que faz os desiludidos dizerem bobagens, é você faz as pessoas, coitadas, saírem pelas ruas à procura de algum gole de paz engarrafada. Pode admitir, vai. Eu sei que a culpa é sua.

Saiba que aquele papo de morrer por amor só é bonito em filme ou em livro – e bonito quando não beira a cafonice. Do lado de cá, a banda toca diferente. Na vida real, ninguém morre por você, não – já não te disseram isso? Morrer por você seria contraditório. Quero motivos sinceros pra viver. E você ainda é um dos principais – por isso, por favor, não me decepcione.

Ah, outra coisa: não venha querer fazer da gente filme ou novela, não, viu?! A gente não tem trilha sonora. Você fica enfiando músicas nos nossos relacionamentos pra quê? Pra pessoa procurar um Lexotan para tomar com uísque toda vez que a música tocar no rádio? Faça-me o favor. Uma dica: quando você resolver ir embora da vida de duas pessoas, leve a canção junto. Desapareça com ela. O sofrimento, assim, será menor. 

É isso. Estamos conversados?

Nenhum comentário:

Postar um comentário