sexta-feira, 3 de outubro de 2014

de nada!

Quem falou que gentileza gera gentileza mentiu. Ou está desatualizado. Ela pode até gerado um dia, vai, lá atrás. Hoje, essa gentileza do ditado aí não gera nem um obrigado sequer. E é sobre ele a minha bronca. Sobre o obrigado, esse amigo da elegância que anda extinção.

Olha só.

Semana passada eu fui tomar um café na padaria na esquina do meu prédio. Na hora de sair, afastei um pouco para deixar a passagem livre para uma senhora entrar rápido. Estava chovendo e não queria que ela estragasse a sua chapinha. Ela? Entrou correndo, claro, e quieta, pisando duro e nem um obrigado balbuciou. Nem um sorrisinho ela deu. Nem um mero levantar de sobrancelha recebi.

Outro dia, veja, no elevador da garagem, esperei o rapaz do 53 fechar o seu carro para embarcarmos juntos. Ele? Veio correndo, meio afoito. Parecia estar com pressa. Entrou e perguntou se eu estava viajando porque não me vi há semanas. Desci antes, no segundo andar – já meio sem paciência pra tamanha intimidade –, e ele levantou a mão e disse um tchau meio tímido. Mas eu não queria o tchau dele. Queria o obrigado. É pedir muito?

Sabe: fico um tanto frustrado em não poder dizer de nada pra os outros.

E mais frustrado ainda por não entender porque uma simples palavra não é dita para alguém que fez uma gentileza. A propósito, ando até aceitando obrigado de mulher e obrigada de homem. Tanto faz. O que vale é a intenção. A gramática – que me perdoem os professores de português – fica em segundo plano neste caso.

Dizer obrigado não vai cair a língua nem o braço! E ninguém chegará atrasado por isso. É de graça e rápido. A esperança de termos um mundo melhor também passa pelo obrigado. Ele é indolor, curto e fino.

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