sexta-feira, 24 de outubro de 2014

avós

Sabe o que ainda me faz acreditar no amor? Meus avós. Sim, eles são a maior prova de que não estamos aqui, nesse lugar temperado muitas vezes pelo rancor e pelo ódio, à toa. É assim que vejo os dois, o meu Zé e a minha Flora. Eles são cúmplices, amigos, sabe? Eles têm um carinho um pelo outro que é belo. E é belo porque é simples, legítimo.

Isso é tão visível. Basta olhar para os dois. Os olhos deles reluzem quando se cruzam. São apaixonados até hoje. E vivem como se fosse a primeira vez todos os dias. Aliás, às vezes, tenho curiosidade de saber como eles se conheceram. Não sei se eles se lembram. Talvez não. Mas imagino que tenha sido como naqueles romances em preto e branco, como nos filmes de antigamente. Uma mão deve ter vencido a timidez e pegou na outra e, depois, o olhar que acendeu. Deve ter sido desse jeito.

Minha mãe vive dizendo que eles não foram embora ainda porque sempre levaram uma vida saudável, porque são fortes. E porque também nunca beberam, nunca fumaram, sempre dormiram e acordaram cedo e faziam exercícios físicos quando mais novos. Pode até ser, não duvido. Mas desconfio que os dois estejam aqui ainda porque Deus quer que o mundo saiba que o amor, de fato, existe. Pessoas assim não deveriam morrer nunca. Deveriam ser eternas como o próprio amor.

A cena dos dois, sentados no sofá da sala num sábado à noite conversando, é um recado pra não desistir do amor. É um recado pra gente aprender a ser mais tolerante com os erros e mais pacientes com a vida. É pra gente não ficar tão revoltado com a saudade. E pra gente aprender o quão deve ser bom esquecer as coisas juntos, confundir os pensamentos juntos e ficar surdos juntos.

Enfim, caso a vida não me permita viver tudo isso, já valeu a pena de ter visto tudo bem de perto.

Essa semana, meus avós fizeram aniversário: José, 89 anos, e Flora, 87 anos.

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