sábado, 18 de outubro de 2014

a carta que não foi

Ele escreveu pra ela:

Não era esse o combinado, não era isso que o meu coração planejara. É o que eu vivo repetindo toda vez que você invade minha cabeça, arrastando sentimentos como um rio enfurecido. Estava mirando na paz até você chegar. Esse, sim, era o combinado. Mas parece que a vida não quer me dar essa paz. Ou quer, só que do jeito dela.

Para ela, desconfio, a paz é ter o coração preenchido. E é como está o meu, agora.

A vida insiste em sussurrar algo toda vez que penso em desistir, toda vez que tento levar a sério quando o mundo diz não. Fecho os olhos na tentativa da escuridão calar essa voz que me manda seguir. Foi por isso que peguei esse pedaço de papel para lhe escrever os meus sentimentos, para lhe escrever tudo que acontece nesse lugar que você não enxerga.

A culpa não foi minha, juro. Foi da sua felicidade. Foi ela que me conquistou primeiro. Esse seu jeito feliz, de ver a vida sempre sorrindo, com brilho nos olhos, que me pegou quando eu, inocente de tudo, clamava pela paz de não querer gostar de ninguém. Quanto egoísmo, meu Deus!

Depois da sua felicidade, quem me conquistou foi o seu olhar. Vejo mundos e vidas dentro dele. Tem também o seu sorriso – até hoje, o mais verdadeiro que meus olhos já viram. Só agora eu entendo o poder que um sorriso sincero carrega. Ele abate a tristeza, afoga a saudade e nos dá vontade para seguir. É assim que me sinto quando você sorri pra mim, com esse brilho nos olhos.

Mas pensando bem, no fundo, no fundo, não foi apenas você quem me sorriu. Foi a vida. E eu estou pensando seriamente em sorrir pra ela de volta.

Foi o que ele escreveu pra ela. 

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