quinta-feira, 11 de setembro de 2014

ela, a barra de cereal

A dieta é como se fosse uma festa até que bacaninha, com músicas que não são as suas preferidas – mas que você até aguenta ouvir por um tempo –, com comida que está longe de dar água na boca – mas que você até come –, e com convidados quase todos simpáticos. Quase porque tem um... Um, não. Uma. A barra de cereal, essa coisa indigesta que dizem por aí ser ideal para enganar a fome.

Dizem mesmo, porque ela não engana nada. Aliás, ela nunca me enganou. Nunca fui muito com a sua cara. Ela se sente a dona de toda a verdade quando o assunto é dieta. Parece que está acima de bacons e calabresas, de pizzas e batatas fritas, se julga mais gostosa que coxinhas e rissoles. Quem vê até pensa. Ela é apenas uma convidada que não teve como não ser chamada. É a prima chata da dona da festa.

E não sei por quais motivos se acha tanto. Sério. Sua arrogância jamais me desceu direito. Ela é seca. Engasgo sempre. Um dia, até cheguei a experimentar aquela barra que vem com chocolate, sabe? Achei que fosse melhorar um pouco a imagem. Não deu. Quase peguei antipatia pelo chocolate.

Quando entro numa loja de conveniência a primeira coisa que vejo é ela. Parece que me persegue. Tento desviar o olhar. Mas não adianta. Fica lá ela, toda toda, por entre os chocolates como se fosse a modelo esbelta no meio dos gordos. Ah, se ela soubesse o que andam falando dela por aí... Garanto que essa pose de light não existiria. A barra de cereal é apenas um mal necessário.

E ela é tão um mal necessário na minha dieta que, sempre às três da tarde em ponto, paro o que estiver fazendo apenas para encontrá-la. É a hora de enganar a minha fome. Que coisa ridícula! Por causa dessa regra, sou obrigado a vê-la com aquele sorrisinho amarelo, de canto de boca, como quem diz: “Viu? Reclama tanto, mas não consegue viver sem mim!”. Por enquanto, por enquanto...

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