domingo, 17 de agosto de 2014

tirando a poeira

Com um sopro, tiro a tristeza que restou. Com o dedo, vou bem lá no canto e afasto a frustração dos planos que não vingaram. Pego um pedaço de pano qualquer e, com força, enxugo algumas lágrimas que escorrem solitárias pelo rosto.

Continuo.

Acendo a luz para exorcizar alguns fantasmas. Vejo alguns amores frustrados correndo em direção à porta. Dou graças a Deus. Viro e dou de cara com o medo. Coitado. Mal sabe que ele já faz parte das coisas inofensivas da vida.

Ligo o abajur e vejo alguns sonhos pendurados no varal. Pego-os com cuidado. Coloco-os em cima da escrivaninha e eles sorriem para a vontade. Sigo em frente. Não desisto.

Desfaço-me de tudo que não uso mais. E faço o pessimismo desaparecer apenas com o olhar transbordando de coragem. Descarto o velho. Sem compaixão. Algumas coisas ainda me olham, meio arrependidas, implorando para ficar. Afasto a tentação. Adeus, eu falo bem baixinho.

Está tudo limpo.

Agora eu posso voltar à vida.  

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