quinta-feira, 21 de agosto de 2014

o(s) amor(es) existe(m)

(da série ‘papo com taxista’)

- Senhor, desculpa aí, mas preciso te contar uma coisa pra você! É um desabafo!

O desespero do taxista chamou muito mais a atenção do que o murro que ele deu na boca do estômago da gramática. Dava para perceber no seu olhar.

- O que aconteceu?

- Estou enrolado, disse ele enquanto tentava driblar os carros lentos, quase parados, na Avenida Morumbi.  

E olha que enrolado era pouco. Coitado do Fonseca. A história que me contou era mais ou menos assim: ele era separado, pai de quatro filhos e ainda amava a mulher. Mas, desde que se separou, morava na casa da amiga da sua ex. Detalhe importante da história: a ex não sabia, pelo menos segundo ele.

- Tá, mas o que te faz ficar tão desesperado assim? Você está livre!

Ele se engraçou com a amiga da ex. Ok, até aí tudo bem, disse. Ele estava livre e desimpedido até então. Mas tinha um agravante na história: ele havia engravidado a menina. Ou seja: se ainda existia alguma esperança de ele voltar a dormir na mesma cama da ex, acabava por ali. Não pense você que a história acabava por ali.

Não contente em sair de casa, ir morar na casa da melhor amiga da ex, o pobre taxista garanhão estava apaixonado por outra mulher. Pasme: seu coração pulsava agora muito mais forte, disse ele, pela mãe da amiga da sua ex.

- Não sei mais o que fazer!

- Faça o que seu coração tá pedindo!

- Ele tá pedindo tanta coisa que você não faz ideia.

- Imagino, imagino... 

Saltei do táxi na Jabaquara e ele seguiu. 

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