segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

promessas?

Foi-se o tempo em que pegava um pedaço de papel qualquer e escrevia ali as minhas promessas para o ano seguinte. A última vez que eu me lembro ter feito algo assim foi no final de 2007. As promessas? Iguais as de todo mundo – e de todo ano: emagrecer, parar de fumar, não reclamar mais do trânsito, falar menos palavrão, dormir mais cedo, acordar mais cedo, caminhar, comer menos...

Enfim, não fiz nada disso. As promessas ficaram amareladas e empoeiradas e até hoje descansam no fundo da minha gaveta. E, claro, como já era de se esperar para aquele ano... Engordei, fumei mais, comi mal, não caminhei, continuei a dormir tarde e a acordar ainda mais tarde, a reclamar do trânsito caótico de cada dia e a falar palavrão do mesmo jeito.

Por isso, desde então, deixei os planos de lado. Desencanei. Promessas de ano novo, pra mim, são como Papai Noel. Uma lenda. Ou como as minhas dietas, que sempre começam na segunda e morrem na terça. Demorou, mas aprendi que a vida são planos repentinos. Simples assim. O difícil é abandonar os velhos hábitos, os velhos rituais.

Já estamos tão acostumados a respirar esses rituais que fica até difícil se desvencilhar deles. O mundo te obriga a fazer promessas. Virou moda. E o que você planejou para o ano seguinte quase sempre é o assunto para a ceia de Réveillon. É a prima que pergunta. É a tia que começa a embutir planos para a sua vida...

Fazer promessa é como contar uma mentira para o desejo. É um jeito simpático de dizer que amanhã tudo vai ser resolvido, que só hoje você vai comer isso ou aquilo, que só hoje você vai fumar, que só hoje você vai odiar o despertador e que amanhã tudo será diferente. Mentira. Amanhã será o hoje. E tudo vai continuar caminhando sobre os mesmos trilhos. E, quando se vê, o sol já se pôs, o mês já se foi e o ano já dobrou a esquina.

Viver continua sendo mais bacana...

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