quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

pra quem tem medo da solidão

Sou daqueles que adoram ir a botecos sozinhos. Faço isso pelo menos uma vez por semana. Me faz bem, sabe? É quase uma terapia. Chego, cumprimento os garçons, peço a cerveja e me sento na mesma mesa – uma lá no fundo, bem perto do banheiro. Levanto umas duas ou três vezes na noite apenas para ir à calçada fumar.

E só. Este é o meu ritual.

O resto fica por conta dos meus pensamentos. É ali que penso na vida como devo pensar. É ali que penso no futuro e na morte da bezerra, tudo ao mesmo tempo. É ali que muitos planos nascem, morrem e ressuscitam. É ali que a ideia para esta crônica veio ao mundo. É assim... O bar é o escritório da minha vida.

Só não entendo aqueles olhares que transbordam compaixão. Parecem que as pessoas têm pena de me ver ali, sozinho. Devem pensar: coitado, não tem amigo. Ou: levou um fora da mulher e está afogando as mágoas. Uma vez, numa das minhas idas à calçada, uma senhora se levantou e me convidou para sentar na mesa dela. Agradeci e recusei. Disse que estava bem sozinho.

Esse é o problema: a solidão incomoda tanto uma pessoa que chega ao ponto de ela ficar incomodada com a solidão alheia. Entende? Solidão não é um monstro tão feio assim, não. Tem dias que ela se faz necessária. E é difícil decifrar quando a vida pede isso.

Ficar sozinho – detalhe: às vezes – faz bem ao coração. É o momento em que você aceita todas as suas verdades e esquece todas as suas mentiras. É quando você encara de frente, e sem medo, todas as suas imperfeições. No duro mesmo, sem rodeios nem meias palavras. No começo pode doer um pouco. Mas depois você se acostuma, como tudo nesta vida.

2 comentários:

  1. DE AMANDA FRANÇA, VIA FACEBOOK:

    E depois que se acostuma passa a se perguntar, como consegui viver sem ter essa experiência !!!!!!

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  2. DE FILIPE CHICARINO, VIA FACEBOOK:

    Show como sempre Vini! O poeta cruzeirense...

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