terça-feira, 10 de dezembro de 2013

dor de barriga no avião

Naquela hora, eu só conseguia me lembrar do banheiro e do Mário Prata, que passara por situação semelhante. Embora tudo isso pudesse ter sido evitado se eu tivesse escutado os gritos do meu estômago ainda no saguão do aeroporto. Mas não: resolvi confiar naquilo que não deveria. Deu no que deu.

Uma dor terrível me fez apenas dar aquele sorrisinho de canto de boca para a mulher (linda, diga-se de passagem) que estava ao meu lado puxando papo. Mas eu não queria. Precisava me concentrar na tensa negociação com o meu estômago, que está irredutível. Uma despretensiosa conversa poderia causar um desastre naquele avião.

Pensei, num flash, abrir o jogo pra ela. Queria dizer que meu estômago estava armado, pronto para atirar, pronto para colocar a vida de todos aqueles passageiros em risco. Mas achei melhor recuar. Tentei ficar quieto. De nada adiantou. Vai fazer o que em BH?, perguntou. Pensei na resposta mais rápida, com menos palavras, de preferência. Visitar uns amigos, respondi.

- Onde eles moram?
- Não sei! Estou indo pela primeira vez!

Ela chegou a engatilhar a próxima pergunta, mas eu consegui ser mais rápido. Vou ao banheiro e já volto, disse. Estava disposto a resolver, de vez, aquele problema. Estava. Pois é, o banheiro estava ocupado. Não sabia se esperava em pé ou se voltava para o meu lugar... Enquanto isso, meu estômago dava graves sinais de profundo descontentamento com aquela situação toda.

Quando ouvi o pedido do piloto para apertar os cintos, não sei se ficava feliz, se pedia mais um tempo ou se me preocupava ainda mais. Rezava, juro. Aquela hora era crucial. Voltei com a poltrona para o lugar correto. Olhava pela janela. Respirava fundo. Rezava de novo. E respirava. Assim que as portas se abriram, me despedi da mulher – disse que estava atrasado –, apanhei minhas malas e sai desembestado pela pista atrás de um banheiro.

Ufa!

Nenhum comentário:

Postar um comentário