segunda-feira, 4 de junho de 2012

ritual

Toda noite, minutos antes de o sono chegar no primeiro bocejo, ela cumpria um ritual. Algo quase como uma oração. Sagrado.

Abria a janela do quarto abafado para deixar o ar passear feito uma criança feliz. Depois, apanhava no armário a vitrola antiga que herdara de sua avó e punha pra tocar a música mais triste. E ali ficava, entre uma tragada e outra no cigarro amassado, pensando no alguém que já não existia mais.

Bem de vez em quando ela chorava.

Mas isso nunca passou de um detalhe besta.

Toda a tristeza que ela evocava à noite era apenas uma forma que ela encontrou de manter vivo aquele alguém que já não existia mais.

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