sexta-feira, 1 de junho de 2012

o que é brega no amor

Ia começar esta crônica dizendo que o amor é brega. Pensei. Respirei. Repensei. Respirei. E digo: brega é a maneira que as pessoas se amam. Explico.

Outro dia, depois de ter tomado um banho mais demorado para ver se dava um jeito na preguiça, desci até a esquina do meu prédio e me sentei para fazer aquilo que não consegui em casa. Pedi um suco de qualquer coisa e um pão na cha... Foi neste instante que entrou um casal e se sentou bem ao meu lado. Demorou só o tempo de fazerem o pedido para começar: um beijo ali, outro lá; um abracinho ali, outro lá; um aperto ali, uma mordida lá (mas nem tanto lá como você deve estar pensando aí).

Resultado: aquela cena parou a tímida padaria. Foi algo constrangedor, confesso. Até mesmo a velhinha que parou no balcão ficou perplexa. Mas perplexa mesmo ela ficaria se tivesse escutado o que eu escutei. É... Eram declarações mais melosas que a quantidade incrível de açúcar que a mocinha despejou no meu suco de qualquer coisa. Te amo era o bê-a-bá das confissões. Isso sem falar das pernas entrelaçadas no vão entre os bancos. Alguém, talvez, mais sensível do que eu e que estivesse passando por ali, certamente, daria um suspiro e diria que o amor é lindo.

Estou longe de saber o que é o amor, mas desconfio seriamente daquilo que não é o amor.

As pessoas de hoje em dia parecem ter uma necessidade que não cabe nelas de mostrar para o mundo que estão amando. Uma coisa incrível. Talvez seja para escancarar que a guerra com a solidão já foi vencida. Para mostrar ao mundo o quão são queridas. Ou para dizer que estão transando mais que a pessoa ao lado. Você já deve ter visto cena semelhante: abraços com mãos furiosas na fila do McDonald's do shopping e beijos de fazer a garçonete do restaurante lembrar-se do seu ex que se mudou para Miracema do Norte.

Aposto que o amor não precisa de barulho. Muito pelo contrário: ele já nasceu discreto – aliás, discreto como o amor dos nossos avós. Já reparou? É um amor tão calmo, tão brando e tão simples que não precisa de muito para nos convencer que é tão verdadeiro. Mais do que gestos e gritos, o amor é o olhar. É a cumplicidade que cala milhões de te amo. Ele está mais para poema do que para discurso. O amor é singular. E o plural é a parte que o deixa brega.

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