quinta-feira, 26 de abril de 2012

(Nem tão) Felizes pra sempre – assunto da tarde, quase noite: a decisão

Ela estacionou o carro de qualquer jeito na garagem e subiu as escadas às pressas. Queria saber logo se ele aceitara ou não a proposta de ir trabalhar na Espanha. Assim que entrou no escritório, ela o viu mexendo no passaporte. Pronto: ela gelou – dos pés à cabeça.

- E aí? Falou com o seu chefe?
- Falei!
- E aí? O que você decidiu?
- Senta aqui, vai. Vamos conversar.

Antes mesmo de ele começar a falar, ela já rasgou uma pergunta.

- Você aceitou o convite, né?
- Aceitei!
- Ahhhhh...
- …
- E quando você vai?
- Segunda!
- Segunda?
- Segunda!... Tô até aqui já separando o passaporte, aquela papelada toda.
- …
- Achei que fosse ficar feliz por mim!
- Eu estou, mas...

Já com a voz embargada, ela continuou:

- … Mas vou sentir sua falta!
- Não fique assim, meu amor! O que me motivou a aceitar foram as suas palavras da semana passada, lembra? Senti firmeza quando falou que ficaria bem aqui. Sei que você vai ser bem cuidada. E outra: acho que em quatro meses você já vai poder ir pra lá morar comigo!
- E o nosso filho vai nascer lá? Longe da mamãe, da minha família, da sua família?
- O que que tem?
- Ahhhh... Não sei. Deixa eu ir lá pro quarto curtir minha fossa, vai. Depois eu penso nisso.

Mas a história mudaria nos próximos diálogos.

- Amor, vem cá!
- Pra quê?
- Quero falar uma coisa com você!
- Fala...
- Se eu te disser que tudo isso que falei pra você agora é mentira, você vai...
- Eu vou te mandar pra puta que pariu, isso sim!
- Então me mande!
- É mentira?
- É!
- Ahhhh... Por que você faz isso comigo? Meu, você sabe que estou grávida. Não posso ficar passando por essas emoções... Seu irresponsável!
- Só quis fazer uma surpresa! Só isso.
- E por que você decidiu ficar? Não era o seu sonho ir pra lá? Trabalhar com os caras fodões da sua área e tal?
- Eu não poderia ir e deixar a mulher da minha vida aqui. Você é a mãe do meu filho! Eu não quero perder um momento sequer dessa fase. Trabalho eu consigo outro. Sonhos eu invento mais um tantão aí. Agora, de que adianta eu ir realizar o meu sonho só e deixar a minha família aqui? Eu seria muito egoísta. O meu sonho, desde que fiquei sabendo que seria pai, não é mais meu só. São sonhos. É o meu, o seu e dessa criança que tá chegando. Entende?

Ela, aos prantos, fez que 'sim' com a cabeça. E ele, também se derramando em lágrimas, concluiu:

- Te amo, sua mala!
- Eu também te amo! E mais: mala é a sua...
- Ooooolha!

E a história termina, mais ou menos, aqui. 

Ela e ele foram felizes. Pra sempre? Bom, pra sempre não. Mesmo porque muitas brigas, mas muitas brigas mesmo, aconteceram – algumas graves e outras nem tanto. Depois que os filhos – sim, dois! – nasceram, as confusões até que deram uma trégua. Coisa de dois, três meses – tempo, acredite, que as crianças ficaram sem nome. Por quê? Adivinha?

2 comentários:

  1. eba, vai ter mais???
    amei a novela deles... dê um tempo e continue... bom demais!

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    1. Lívia, vai ter outra história. Mas a deles acabou mesmo. rsrsrs...

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