quinta-feira, 29 de março de 2012

(Nem tão) Felizes pra sempre - assunto da manhã: você tem outra que eu sei

Eram duas e pouco da manhã quando ela chegou em casa. Detalhe: bêbada. Também, passara horas no bar com as amigas tomando pinga de banana. No outro dia, como não poderia ser diferente, ela acordou de mãos dadas com a ressaca e lado a lado com a fúria dele.

- Onde você estava ontem à noite?
- Num barzinho com as meninas!
- Ah... Por que não me avisou?
- Eu te liguei.
- Não, não... Você deveria estar bêbada quando pensou que me ligou, mas não me ligou.
- Não fala besteira, vai. Cadê o seu celular? Olha lá que você vai ver que te liguei, sim!

Foi então que ele pegou o celular e, sem uma gota de paciência, falou:

- Procure aí, então!
- Grosso!

Bastou clicar em ligações perdidas para começar uma nova história:

- Você é um safado mesmo, né?!
- Do que você está falando, sua doida? Ainda tá bêbada, é?
- Não tô bêbada, não. Muito pelo contrário: tô sóbria o suficiente pra ver sete ligações de uma tal de Adriana aqui no seu celular.
- Endoideceu de vez, sim! Ninguém me ligou. Ou, se ligou, deve ter sido engano.
- Engano? Ninguém se engana sete vezes!
- ...
- Eu até sei o que rolou: você deve ter visto que eu ia demorar pra chegar e tratou de combinar alguma coisa com essa Adriana, né?! Só pode ser isso. Quem é ela? A outra? Fala, vai!
- Você tá bêbada. Certeza.
- Bêbada é a velha da sua...
- Olha, olha... Respeito.
- Diz logo: quem é essa Adriana?

Ele respirou fundo, olhou para o céu implorando pela paciência que, antes, havia renegado e ensaiou um discurso, que tão logo foi interrompido por mais uma enxurrada de fúria.

- É sua amante, né?! Eu sempre desconfiei que você tinha outra. E eu, meu Deus, como fui tola de acreditar naquilo que você me falou outro dia... Que me amava, que não precisava colocar uma aliança no dedo... Claro, né?! Com uma aliança no dedo fica mais difícil de você arrumar essas piranhas... Seu safado!
- ...
- Agora, a única coisa que nos, ou melhor, a única coisa que me resta é mandar você embora daqui. Acabou tudo. Ouviu? Tudo! O amor, a cumplicidade, a amizade... Tudo! Adeus!

Assim que terminou de falar, furiosa, subiu as escadas. Minutos depois, já estava na porta da sala com duas malas dele na mão.

- Tchau!

E ele, jurando plena inocência, resolveu ir – não por ser culpado, mas pelo simples (ou nem tão simples assim) fato de ela ter duvidado da sua fidelidade. Sem coragem para pedir o último beijo, ele virou as costas e foi-se embora. Aquilo partiu o seu coração. Foi quando começou a chorar. Naquele momento, a sua tristeza parecia conversar com a angústia em voz alta. Alta, mais ou menos: porque se fosse mesmo em voz alta, ele certamente não teria escutado o grito dela.

- Espere! Espere! Você me perdoa? Diz que sim!
- O quê?
- Agora eu entendi tudo e a culpa, a confusão... São todas minhas. Eu fui a maior idiota da história. Deixa eu explicar: essas sete ligações da Adriana, na realidade, foi eu quem fiz.
- ...
- É que ontem o meu celular acabou a bateria. Aí eu peguei o celular da Dri, aquela amiga que me trouxe aqui no dia que você ficou com o carro por causa do futebol, lembra?
- Hã...
- Então... Eu peguei o celular dela pra te avisar que eu estava no bar e que demoraria pra chegar. Foi isso! Você me desculpa?

2 comentários:

  1. DE THATIANE LEME, VIA FACEBOOK:

    Amo suas crônicas...rsrsrs

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  2. É por essas e outras que sempre verifico aonde está meu celular!

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