quinta-feira, 22 de março de 2012

(Nem tão) Felizes pra sempre - assunto da manhã: casar... Pra quê?


Eles acordaram sem pressa. Afinal, era domingo – um dia perfeito para ficar enrolando na cama com abraços longos, beijos demorados... E ideias malucas. Malucas, pelo menos, pra ele.

- Ai, como é bom ficar aqui na cama, né?!
- Nem me fale... Bem que todo dia poderia ser domingo, né?! Assim, eu não precisava acordar mais cedo pra preparar o café, pra fazer a barba, pra todas aquelas coisas chatas pra cacete!
- É verdade!

Ela olhou para ele, deu-lhe um beijo diferente – mais profundo, talvez –, e falou:

- Sabe, amor, eu estava pensando numa coisa aqui.
- O quê?
- A gente tá junto há quanto tempo?
- Ihhh, pra pergunta difícil assim, logo pela manhã de um domingo preguiçoso, a resposta é... Não sei! Peraí... Vou responder: fazem quatro anos?!
- Fazem, não. É faz! Eita mania errada de falar... Você não aprende mesmo que o verbo fazer, quando se refere a tempo, é impessoal, né? Ou seja: não-con-ju-ga-mos. En-ten-deu, bo-ni-ti-nho?
- Sim-bo-ni-ti-nha, mas-o-as-sun-to-não-é-por-tu-guês! Me-diz: eu-a-cer-tei?
- Mais ou menos. Estamos juntos já há quatro anos e, e, e...?
- … Dois meses?
- Errou! Estamos juntos há quatro anos e dez meses. Quase cinco já!
- Nossa! Parece que foi ontem que eu te conheci, lembra?
- Lembro, claro! Nem se quisesse, eu conseguiria esquecer!
- Mas... Por que esse assunto agora?
- Ah, pensa só: eu gosto de você e você gosta de mim. Certo?
- Certo!
- Nós já moramos juntos há três anos e nove meses...
- E...
- Por que a gente não casa?
- Oi? Casar? A essa altura? Cê tá maluca, isso sim!
- Nossa! Que insensível!
- Não leve por esse lado, por favor! Eu já me considero casado. Somos felizes e pronto. Tá tudo certo!
- Eu sei, eu sei... Mas eu sempre quis casar, entrar na igreja, chorar no altar, sabe?
- Acho tudo isso uma bobeira, se quer saber!
- Bobeira, bobeira... Tudo pra você que envolve sentimento é bobeira.

Nesta hora, então, ele se levantou, respirou fundo e falou coisas que ela nunca esperava ouvir:

- Não é por aí, meu bem! Eu não preciso subir num altar ou meter uma aliança no dedo pra mostrar ao mundo que sou casado com você. Aliás, eu não preciso mostrar pro mundo que eu te amo. Preciso mostrar pra você e só. E ainda falo mais: eu já tenho você e isso me basta. Somos cúmplices e protagonistas de um amor que alguém lá de cima preparou pra gente. Você é a pessoa que eu escolhi. É a pessoa que mora no meu coração e que convive em plena harmonia com os meus pensamentos. Entende? Você me ama e eu te amo. Do que mais a gente precisa?

Depois das palavras dele, ela nunca mais tocou no assunto casamento. E detalhe: aquela manhã de domingo foi a melhor dos quatro anos e dez meses daquele casal.

3 comentários:

  1. hehehe
    devo concordar que a maioria das mulheres pensam assim msm, até eu - que sou mulher - me assusto! talvez seja uma cobrança de peso social, não sei, mas não é geral, viu? ha muitas mulheres por aí que não precisam de um "anel no dedo" pra se sentirem completas

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  2. O que eu acho interessante nesta historia toda, é que este assunto de "papel passado" para ser feliz é velho, porém, fico abismada com os casais homossexuais que lutam pela união documentada. Complicado, não?! Durma-se com um narulho destes!

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    1. "narulho" leia-se "barulho". Desculpem nossa falha.

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