terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

trate bem o seu cupido: você poderá precisar dele um dia


Os dias que antecedem o Carnaval são mais ou menos assim: você trabalha pensando na folia, toma banho pensando na folia, come pensando na folia, assiste TV pensando na folia, dorme pensando na folia e lê esta crônica, por exemplo, pensando na folia. Só. Até mesmo a paixão, aquela que é sempre tão evocada durante os 361 dias do ano, parece ficar em segundo plano. E olha: não sou eu que estou dizendo isso, não.
Viu por que tenho pena do coitado do cupido? O pobrezinho, nesta época do ano, não para de receber graves ameaças, que surgem na batida dos primeiros surdos e pandeiros. Todo ano é a mesma coisa: quando chega o Carnaval – contra a sua vontade, creio –, ele se recolhe em algum canto onde a folia passa anos-luz e só volta depois que o último tamborim se cala. E, quando isso acontece, ele chega por aqui triste e sem saber por onde começar. Fica receoso e desmotivado. É sempre assim.

Mas a sorte é que o cupido é um sujeito de bom coração que veio de um lugar onde o perdão é uma lei que se cumpre à risca. Tanto que, depois de uns dias triste e cabisbaixo, ele esquece as ofensas e as ameaças e retorna para atender a todos -- principalmente aquelas pessoas que lhe pediram um tempo, pois ele sabe que essas serão as primeiras a sofrer com o fantasma da solidão. Uma solidão sorrateira que geralmente chega ao amanhecer da quarta-feira de cinzas.

Nessas horas, o cupido, inundado de compaixão, respira fundo, fecha os olhos, clama uma concentração divina e lança a sua flecha na direção de dois corações que serão felizes. Para sempre? Bom, ele não sabe – mas se pudesse apostar: até o próximo Carnaval.

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