sexta-feira, 14 de outubro de 2011

posso fumar em paz?


O ato de fumar é quase um ato sagrado. Diria que é um momento único de reflexão, no qual você consegue dar prioridade às preocupações inúteis que costuma guardar dentro da sua cabeça. Tudo bem que muitas das coisas que você planeja – ou pensa – enquanto fuma acabam tão logo quanto uma tragada, mas isso é o de menos. O que importa é o pensar. Consegue me entender? Fumar é um verbo que não consegue ser conjugado no plural. É mais ou menos isso. Fumar é solidão. Uma solidão positiva, eu acrescentaria.

E a minha angústia é não conseguir ficar sozinho para fumar. Terrível. Quando não é um sujeito que chega a passos curtos, de cabeça baixa, e que te dá o bote ao perguntar se tem um cigarro para arrumar, é outro sujeito que chega querendo papo. Um papo quase sempre besta a fim de lhe ajudar a passar o tempo enquanto fuma. Ora: eu arrumo papo em fila de banco para ajudar o tempo a passar mais rápido. Essa é a filosofia. Mas não. Quando fuma, o cara quer papo. E geralmente vem com umas conversas do tipo 'e essa chuva não vai parar, heim?' ou 'levei uma multa hoje por ter parado em cima da faixa de pedestre...' Beleza, mas... E eu com isso? Eu posso fumar em paz?

Um comentário:

  1. Vinicius, você é um barato. Dizem que fumar
    não é bom para o bolso.

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