quinta-feira, 7 de julho de 2011

alguém me escuta?

No começo eu achei que fosse implicância da mocinha da padaria da esquina. Toda vez que eu pedia meia dúzia de pão de queijo ela me dava bolinhas de queijo. Da primeira vez, tudo bem: eu até comi as gordurosas bolinhas de queijo no café da manhã. Da segunda, eu reclamei e também comi – mesmo o meu estômago reclamando. Mas da terceira não deu. Chamei a gerente e reclamei. Não sei o que deu depois, mas pelo jeito não resolveu muito. Ontem mesmo eu estive lá. Pedi um croissant de queijo e, quando cheguei em casa, adivinha: o bendito era de palmito. E justo eu que odeio palmito... 

Mas até aí, você diria, tudo bem. Eu concordo. Mas confesso que fiquei preocupado quando, noutro dia, fui almoçar num restaurante perto da minha casa. Pedi a garçonete que me trouxesse um hambúrguer sem tomate. Hum, dou um prêmio se você adivinhar como veio o meu prato: com muito mais tomate que o hambúrguer do meu amigo, que pediu a mesma coisa e que ama tomate sobre todas as coisas. Reclamei. Se resolveu? Não posso responder. Eu nunca mais voltei lá depois do dia em que pedi um suco de melancia e me deram suco de beterraba com cenoura.

Isso: ria mesmo. Não que eu esteja rogando uma praga, mas tenha certeza: a graça disso tudo vai terminar no dia em que você, queridíssimo leitor, esbarrar com alguma atendente que vive a pensar em tudo – menos naquilo que deveria: o seu pedido. Então, vai perceber que é terrível conviver com pessoas que não sabem escutar. E quer mais: são pessoas que precisam ouvir para atender bem. Mas não: elas vivem com a cabeça nas nuvens, pensando no namorado, no que vai fazer na sexta à noite, etc, etc, etc. Elas parecem respirar o futuro de uma forma tão intensa quanto desnecessária.

Como eu gostaria que as moças simpáticas da rádio táxi estivessem me lendo neste momento. Se tivessem, saberiam como é importante ouvir o cliente. Ouvir o cliente, aliás, foi o que uma delas não fez comigo um dia desses. Eu estava no Itaim, na rua Paes de Araújo. Liguei e, como já conhecia a trupe, falei pausadamente:

- Eu gostaria de um táxi para a rua Paes de Araújo!

Passaram-se dez minutos. Nada. Vinte minutos. Nada. Meia hora e nada. Não aguentei a espera e voltei a ligar – já sem metade da paciência da primeira ligação.

- Ah, é na Paes de Araújo?! - falou com aquela voz de 'é comigo, hã?'. - O motorista está à sua espera na Paes de Barros.

Detalhe: a rua Paes de Barros fica na Moóca, zona leste, do lado oposto da cidade. Desliguei – já quase sem esperança de que o mundo me escute.

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