quinta-feira, 9 de junho de 2011

o amor merece mais que um dia (sobre o Dia dos Namorados)

(um texto óbvio-assumido com verdades que poucos conseguem enxergar)

Sempre achei de profundo mau gosto as datas comemorativas que existem sem nenhum por que, digamos, convincente. São coisas que existem, creio, para quebrar a dureza do dia a dia ou para lembrar aquilo que não se deve esquecer. Perdoe-me a sinceridade, mas eu não acho justo celebrar, num dia solitário e perdido, aquilo que nasceu para ser pleno – ou o mais perto disso. De que vale comemorar o efêmero?

Falo isso e me lembro de algumas amigas. Se pudessem, garanto: elas dariam um jeito de morrer à meia-noite do dia 12 de junho para ressuscitar só à meia-noite do dia seguinte. Fazem um caos gratuito em suas vidas e deixam o coração a ponto de miséria só porque vão passar o Dia dos Namorados sem namorado. Por conta disso vivem a se lamentar pelos cantos e a chamar o destino, coitado, de injusto. Pode?

Eu, como bom amigo que sou, alerto: são nessas horas que a loucura dá as caras e faz você ligar para quem não devia; faz você falar coisas que não deviam; e faz você ir ao encontro de verdades desnecessárias. Mas nunca adianta. Elas parecem tapar os ouvidos para tudo e para todos. Dizem que tudo é em prol do amor. Ah, o amor! Dia dos Namorados é para celebrar o amor, afirmam. Isso é o que te empurram goela abaixo, respondo. E complemento: se for um amor assim, estou fora. Já me chamaram de insensível por conta disso. Não ligo.

Um sentimento forte não pode – e nem deve – sucumbir à euforia de uma noite que, quase sempre, termina com um bocejo e um boa noite nem um pouco romântico. Ora bolas: se você ama alguém, por que esperar determinado momento para demonstrar isso, meu Deus? Por que é romântico? Não acho. Muito pelo contrário. Eu, que já desafiei o amor algumas vezes e já provei dele outras poucas, posso dizer: ele existe no inesperado, num suspiro ingênuo e no talvez que esconde uma certeza que sempre nos surpreende numa noite despretensiosa de segunda-feira.

O amor merece muito mais que um dia em nossas vidas. Não acha?

2 comentários:

  1. marinah castanheira9 de junho de 2011 19:17

    Há pouco recebi uma dessas páginas via Internet, que dizia mais ou menos isto :
    "Que me importa passar o Dia dos Namorados
    sozinha. Eu não passo o Dia do Índio abraçada com um índio, nem o Dia da Árvore abraçada
    com uma árvore, muito meno o Dia de Finados
    abraçada com um defunto". Achei muito engraçado.

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  2. Hoje concordo plenamente com vc Vi... mas acho que toda mulher já passou um dia dos namorados dizendo " Ninguém me ama, ninguém me quer", mas amadurecemos e vemos que não é bem assim.O amor tem que ser lembrado aos poucos a cada dia.E outra dia dos namorados, mães, pais etc; é comércio puro!

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