quinta-feira, 30 de junho de 2011

e – de novo – o mundo não acabou


(um poema dedicado à previsão de uma mulher de Taubaté, que assegurou que o mundo acabaria no dia 29 de junho. Pois é, o mundo não acabou - de novo)

E já que o mundo não acabou,
alguém me explique que a vida não mudou
ou me cure da ressaca que estou?

E já que o mundo não acabou,
alguém me diz o que fazer com a minha vergonha que vai continuar
e que pra menina do 12 não vou poder mais olhar?

E já que o mundo não acabou,
o que fazer com as contas que não paguei,
e o trabalho que deixei?

E já que o mundo não acabou,
como vou encarar as coisas que fiz e não devia,
que jurei verdade enquanto mentia?

E já que o mundo não acabou,
como ligar para o meu amor que foi embora
sem o celular que pela janela joguei fora?

Mas já que o mundo não acabou,
não tem jeito:
vou minhas contas pagar,
a ressaca – é claro – curar,
e a menina do 12, quem sabe, amar.

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