quinta-feira, 7 de abril de 2011

o arroto

Sei que arrotar é feio. Minha mãe sempre me disse isso. Mas... Desculpa mãe: não saber arrotar é uma das minhas maiores frustrações. Quase um trauma, que teve o triste ápice lá na infância, quando eu era excluído dos campeonatos de arroto no colégio, que sempre rolavam depois do cachorro quente e do guaraná. Era terrível. A única vez que me meti a besta em participar, não deu outra: todos riram da minha cara.

Um dia desses, saindo do restaurante, um amigo (de infância) soltou um arroto daqueles no carro. Na sequência, me olhou e perguntou: “É a sua vez! Seja educado e arrote também”. “Não sei”. “Não aprendeu até hoje?”. Fiquei mudo. E achei que era hora de desabafar.

O meu arroto, disse a ele, só tem uma modalidade. Ele é involuntário. O pior de todos. Ele também faz o tipo traidor. Você não tem noção de quão ruim é isso. O bendito sempre resolve dar as caras quando não se deve. A última delas foi numa reunião. A sala era apertada e as pessoas que lá estavam, chatas demais. Entrei em desespero. Eu não podia falar nada para não empestear o ambiente. Falava por gesto. Um horror.

Mas o arroto já foi bem mais sacana comigo. Estávamos eu e a Rafa, um antigo rolo dos tempos de adolescência, dentro do meu carro. A noite estava linda e o clima era perfeito. Um beijo ali, outro acolá. Um abraço mais quente aqui, outro acolá. E assim fomos. Até que, de repente... Maldita pizza! Não consegui disfarçar dessa vez. Só estávamos nós dois ali. Achei por bem abrir o jogo. E quer saber? Até que foi bom. Ela me entendeu. Disse, depois daquilo, que ficaria ainda mais à vontade comigo.

Deu no que deu: ela encheu o peito, soltou um arroto e brincou: “Até eu consigo”. Fiquei mal. 

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