quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

iara

Ele acordou e fez o de sempre: deu um bom dia meloso, um beijo, passou as mãos nos cabelos dela e um abraço longo. Ela, diferente de todos os outros dias, não retribuiu:

- Você é muito óbvio! – disse, naquela manhã de terça-feira sem por que, ainda com aqueles olhos pequenos, transbordando sono.
- Tá tendo algum pesadelo?
- Não! Tô bem acordada já...
- Por que disse isso, assim, do nada?
- Ah, Du, eu não quero que você me ache complicada e também não quero fazer rodeios. Vou ser direta, mas não pense que sou fria...

Ela respirou fundo e contou até três, em silêncio. 

- Acho que não dá mais!
- Como assim?
- Não posso te enganar, mas tudo aquilo que eu sentia por você... Acabou!
- Acabou? Até ontem você...
- Pode ser, pode ser... Mas eu não sinto mais aquilo por você, sabe? – falou, enquanto passava a mão no rosto dele. – Minhas pernas não tremem mais quando você me faz um convite e o meu coração não bate nem um pouco mais rápido quando você me liga... Tá tudo tão normal.
- ...
- A falha foi ter achado que o nosso amor já estava pronto. Foi isso.
- ...
- Não fique assim, Du! Fui incompetente. A culpa é minha. Gostei de você rápido demais e não soube administrar esse sentimento... Não me leve a mal, por todo o amor que, um dia, sentimos juntos!

Ela se levantou, foi ao banheiro, escovou os dentes e saiu para trabalhar.  

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