sexta-feira, 19 de novembro de 2010

destino

Numa esquina qualquer...
Ela: Olá! Ainda se lembra de mim?
Ele: Nossa! Que surpresa! Claro que me lembro.
Ela: Quanto tempo que não te vejo...
Ele: Pois é. Acho que uns...
Ela: Cinco anos!
Ele: Nossa, tudo isso?
Ela: Acho que sim.
Ele: A última vez que nos vimos foi...
Ela: Na casa da minha avó, na festa de aniversário da Paula.
Ele: É mesmo. Mas me diz: como você está?
Ela: Estou bem. Trabalhando bastante e... Trabalhando bastante.
Ele: Só trabalho é?
Ela: Só! Resolvi mergulhar na minha profissão.
Ele: Você continua a mesma cax, quer dizer, a mesma menina dedicada de sempre.
Ela: Vai, pode falar: caxias, né? Você sempre me chamou assim quando a gente namorava, lembra?
Ele: Claro que me lembro.

Ela olhou para o céu e ele para o horizonte. 

Ele: E você, já se casou com o...
Ela: Júlio!
Ele: Eu sempre esqueço o nome dele. Desculpa.
Ela: Casei nada. Não demos certo. Ficamos um bom tempo juntos, é verdade; chegamos até dividir um apartamento, mas sei lá... Nos últimos anos ele andava muito esquisito. Eu tinha quase certeza que ele tinha outra. Por isso resolvi terminar, antes que essa quase certeza se transformasse em certeza absoluta, sabe?
Ele: Mas você está bem?
Ela: Estou sim. Já passou a turbulência. Aliás, eu nunca esqueci aquela frase que você sempre falava... É nas entrelinhas da vida que se escondem...
Ele: ... As principais lições e as melhores alegrias.

Os dois riram.

Ela: A sua risada continua a mesma...

E eles, abraçados, começaram a caminhar.  

Ele: Você está indo pra onde agora?
Ela: Pra casa.

Ele respirou fundo e, discretamente, contou até dez com os dedos. 

Ele: Tem tempo prum café?
Ela: Tenho sim.
Ele: Eu estava com saudade de você.
Ela: Eu também! Muita saudade.

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