terça-feira, 26 de outubro de 2010

bruna s.

Com uma voz de veludo e embargada por um choro convicto, ela diz:

- Você é tão frio!
- Eu? Frio? Acho que sou prático, isso sim.
- Não. Praticidade é uma coisa e frieza é outra.
- Então, eu escolho a praticidade.
- Não, não. Você é frio e só quem é vítima da frieza pode garantir...
- Você? Vítima da minha frieza?
Ela balança a cabeça lentamente para cima e para baixo.
- Você anda assistindo muita novela.
- Além de frio vai ser irônico? Faça-me o favor... E você sabe que eu não suporto novela.
- Não queira inverter a situação, Bruna.
- Pare com isso... Pense nas coisas que você me disse, ou melhor, nas coisas que você não me disse e depois me fala se tenho, ou não, razão. Ok?
- Exame de consciência?
- Viu? Depois diz que não é irônico!
- Eu não sou irônico, muito menos frio. Sou assim e ponto final. Você me conheceu desse jeito. Sempre soube da minha personalidade, das minhas manias, da minha...
- Frieza!
- Desisto de conversar com você. Acho que esse é um sinal de que nunca vamos dar certo um dia. É melhor cada um ir pro seu canto e fim de papo.
-...
- Não acha?
-...
- Vou embora. Outro dia, quando você estiver mais calma, a gente conversa.
Ela só queria um pouco mais de atenção.

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