quarta-feira, 15 de setembro de 2010

reflexões sobre homens de gravata

Um dia, andando pela (avenida) Paulista, vi um borbotão de homens de gravata. E pensei.
Homens de gravata são chatos. Nunca vi um dando risada como qualquer outra pessoa. No máximo estão rindo de alguma coisa sem graça. Você já ouviu piada contada por um engravatado? É sem graça demais. Geralmente são histórias de escritório, assuntos sisudos, que só eles conseguem rir. E, geralmente – pode reparar –, são risadas altas; gargalhadas sem um pingo de espontaneidade. É sempre assim.
Homens de gravata não falam de futebol. Não tiram sarro do colega porque o time dele perdeu na última rodada do campeonato. Dizem que não pega bem. Pode? Homens de gravata também não falam de mulher. Se passa uma na rua, eles nem se atrevem a virar o pescoço. Não é legal, eles alegam. Outra coisa: homens de gravata evitam fumar em ambiente público. Geralmente, eles vão fumar escondidos. Se alguém entra onde estão, eles tratam logo de apagar e esconder a bituca.
Não sei se você já reparou, mas homens de gravata adoram terminar uma frase com alguma pergunta em inglês. Do you know why? Não? Nem eu. E o celular? Homens de gravata parecem que não conseguem viver sem. A impressão é que o telefone faz parte das mãos, sei lá. Coisa estranha.
E ainda tem mais: homens de gravata são todos iguais. Diferenciam-se um dos outros apenas pela cor da gravata. E só. Porque o corte de cabelo é quase sempre igual. Feliz é você, mulher, que consegue ser elegante com autenticidade.
Pronto. Agora vou tirar a minha gravata.

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