segunda-feira, 12 de julho de 2010

o conto de fadas do século 21

E eu, que já havia jurado nunca mais me meter na guerra entre os sexos, dei com a cara no muro. Minha decisão caiu por terra um dia desses, quando recebi o e-mail de uma amiga, que trazia uma historinha mais ou menos assim.
Era uma vez uma mulher que varria o mundo e assistia futebol na TV nos domingos de tardes ensolaradas pelo seu namorado. Era amor. Só que, num (nem tão) belo dia, ela levou um pé daquele com quem planejara se casar. P da vida com a situação – e depois de chorar um bocado, é verdade – ela foi à luta. Estava decidida. Encurtou o luto e resolveu sair com as amigas. Bebeu até cair. Várias vezes. Chegou em casa de madrugada trançando as pernas. Uma vez foi até parar no andar errado de tão bêbada. Apertou a campainha do vizinho por engano. Mesmo assim, acredite: estava feliz. No dia seguinte, comprou um carro novo. Zero bala. E voltou pra balada, sempre com aquele sorriso cativante e brilhante. Ela conheceu vários caras. Beijou quase todos e transou com... Quase todos. Sem compromisso, diga-se de passagem.
Já o ex-namorado... Coitado! Você pode até não acreditar, mas ele ficou mal. Pior do que ela, pelo menos é o que estava escrito na história. Desde o dia em que pôs um fim no namoro – coincidência ou não – ele ficou broxa. Completamente. Chegou a sair com algumas garotas, mas na hora H o pinto não subia de jeito nenhum. Nem com a mais potente das mandingas. Então, começou a beber. Mas a beber com gosto (ou desgosto, vá saber). Perdeu as estribeiras. Bebeu tanto, mas tanto, que a barriga começou a crescer, a crescer, a crescer... Consequência: ficou deprimido. O cabelo começou a cair. E a solidão a aparecer.
Conclusão: ela, que levou um fora, ficou bem na parada. Ele, que foi sincero (pelo menos é o que deu a entender), ficou com as baratas, mal, à beira de se jogar do trigésimo oitavo andar.
O e-mail que a minha amiga me mandou termina no ponto final da linha de cima. Se você quiser ficar com essa história é melhor parar por aqui. Do contrário, leia até o final e veja o desfecho que resolvi – por livre e espontânea vontade – dar ao conto.
A moça, desfrutando da paisagem e do pôr do sol da janela do seu apartamento, se cansou daquele ritmo doido. Percebeu que as noitadas, que a vida sem hora, que o beijo sem paixão e que o sexo sem amor não a levaria a lugar algum. Vagou por um instante. Viajou. No reflexo da mesa, viu que ganhara alguns fios de cabelos brancos. Estava velha. Ou começando a ficar velha. Já não tinha mais o mesmo ânimo para as baladas, para os bares. Precisava encontrar um amor. Foi então que pegou a sua agenda. Ficou preocupada ao ver que não se lembrava de nenhum dos nomes que estava ali. O único que estava vivo na sua memória era o do ex. Tomou coragem e ligou para o rapaz, que continuava triste. Combinaram de sair. E uma nova (ou nem tão nova assim) paixão começou a nascer.
Voltaram a namorar. Depois de uns meses, resolveram dividir o mesmo teto e a mesma cama. Ela com algumas rugas e com aqueles fios brancos na cabeça. E ele barrigudo e com o pinto caído. Apesar disso, acreditem: eles viveram felizes para sempre.

3 comentários:

  1. Nossa, que vida pobre e sem graça.. isso vale para as duas versões rs.

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  2. DE ÉRICA SILVA, VIA TWITTER:

    nossa, muito bom o Conto de Fadas do século 21!!! Amei...

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  3. DE NEUZA ZANARDI, VIA E-MAIL:

    olá meu amigo, sabe num primeiro momento pensei:..." não somos caranguejos", não andamos para traz, eu daria outro fim para a minha estória e jamais voltaria para aquele que me fez sofrer tanto, ou que me deu a vida de volta... ( depende do ponto de vista de cada um), mas ao repensar olhei para o futuro e me vi( cabelos, bcos, velha, ou cansada desta vida futil, e pensei..... é isso que quero! as favas com o ex, ele que se.....,,, hehehe!!!! bjs

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