sexta-feira, 30 de julho de 2010

mari

Duas tatuagens: uma flor de lótus no ombro direito e uma letra ‘B’, pequena, atrás da orelha. No nariz, um piercing delicado, visível apenas para quem chegasse bem perto. Era do tipo descolada. Usava roupas largas e adorava a velha camisa com a foto do Bob Dylan ainda novo, que comprara em uma das viagens a Trindade. Curtia filmes alternativos e abominava tudo que era da moda. Ela amava, só que do jeito dela.
- Isso é Sylvia Plath...
- ...
- “Se a lua sorrisse, se pareceria com você”... Tenho certeza! Essa frase é dela!
- ...
- Odeio essas cantadas baratas que você me dá!
- Não são baratas. São frases do coração, meu neném.
- E não me chame de ‘neném’. Sabe que eu não suporto essa melação danada...
- Você é fria, isso sim.
- Exigir criatividade na hora de ser cantada é ser fria pra você, é?
- Você está misturando as coisas, meu nen...
- Não termine de me irritar, por favor!
- Está na TPM hoje? Porque, se estiver, eu vou embora e volto no dia em que o bom humor resolver lhe visitar.
- Agora vai dar um de grosso? Só porque eu resolvi jogar algumas verdades na sua cara?!
- Verdades? Me explique melhor, porque não consegui captar a sua verdade, moça!
- Ainda por cima dá uma de burro? Faça-me o favor...
- Burro eu não sou, pois já entendi o seu recado: tá querendo que eu vá embora da sua vida de vez, né? Pronto, agora você encontrou um motivo...
- Não, não... Não é isso! Você também adora levar as coisas para o lado mais dramático, né? Você tá bom pra escrever romances bregas...
- ... E você tá bom pra escrever comédias, dona engraçadinha!
- ...
- Eu cansei do seu jeito! Você exige algo que vai além do amor... Desculpa, mas isso eu ainda não posso te dar. Eu só quis dizer que ‘te amo’ de uma forma diferente... Só isso!
- Também não precisava copiar uma frase da Sylvia. Eu quero que esse seu amor venha daqui ó – disse, batendo no peito dele.
- Agora sou eu quem não quero, Mariana!
- Nunca me chamou assim. Você sabe que eu não gosto que me chame de Mariana. Aliás, eu odeio esse nome. Ma-ri-a-na... Acho nome de velha! Me chame de Mari, vai.
- Não vou mais te chamar de Mariana, nem de Mari, nem de neném, nem de nada.
- ...
- Eu cansei. Cheguei ao meu limite. Você sofre de insensibilidade crônica. Vá procurar um médico ou, então, vá namorar alguém que seja tão gélido como você.
- Mas...
- E quando estiver curada, me procure. Se estiver a fim, é claro. Ah, e até lá, torça para eu ainda estar com vontade de você, ok?!
Ele saiu do quarto, batendo a porta com uma fúria nem um pouco divina.
- Fique aqui!
Ela acabara de perder o homem que mais a amava. Sentou-se na cama, pegou a sua gaita e começou a tocar Blowin’ In the Wind. Era a música preferida de Bernardo.

Um comentário:

  1. nossa senhora! vc andou me espionando foi??? kkkkkkkkkkkkkkkkkkk a unica diferenca eh q meu nome eh Marilia e nao Mariana. kkkk de resto, eh tdo a mesma coisa kkkkkk retrato perfeito da minha pessoa. que coisa horrivel. preciso melhorar.



    bjss
    Marilia

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