quinta-feira, 11 de março de 2010

um buraco e uma vodka, por favor!

Chamá-la de linda seria cometer um erro. E o mais grave de todos. Ela era a coisa que mais se aproximava da perfeição. Tinha um andar que estava longe de ser provocativo: era, sim, instigante. Quase hipnotizante. Caminhava como se estivesse dançando a música mais bela de todas.

Eu a vi pela primeira vez numa festa. O lugar era bacana, meio rústico, com muito verde, mangueiras por todo o lado. Tinha até uma casinha de pau a pique num canto. Uma piscina, com bexigas coloridas, dava um quê meio psicodélico ao ambiente. A banda, lembro bem, tocava Engenheiros do Hawaii. Refrão de um Bolero era a canção.
Aquela cena – ela encostada no balcão do bar, com um copo de refrigerante na mão e cantarolando Engenheiros – era algo de outro mundo. Parecia filme, sabe? Estávamos distante. Mesmo assim, meu coração palpitava. Pulava. A impressão era que eu estava ao lado dela, respirando o mesmo ar, sentindo aquela beleza indescritível. Eu até poderia dizer aquilo era paixão à primeira vista. Mas não. Ela parecia não acreditar nessas coisas. Tinha jeito de ser romântica com estilo.
Eu estava vidrado. Tão vidrado que demorei a reconhecer aquela voz que me chamava.
- E aí, cara, como tá? Tanto tempo, heim?
Era o Marcelo, um amigo de longa data que não via há tempos. Estudamos no mesmo colégio. Apesar de termos a mesma idade, ele era um ano antes de mim na escola. Gente fina. Inteligente. E só. Era feio de dar pena, coitado. Branco feito leite. Rosto cheio de sardas. Cabelos revoltos. E uma voz que vinha do nariz.
- Tá vendo o que aí, cara? Você tá tão compenetrado! Até parece que está nas aulas de matemática do Herculano... Lembra?
- Véio, tô apaixonadão por uma garota aqui da balada! Mas ela sumiu. Estava ali no bar agora há pouco...
- Pior que tá cheio de menina gata aqui mesmo... O foda é que eu não posso ficar olhando. Minha namorada tá aqui. Ela foi ali pegar uma cerveja pra mim...
Girei a cabeça para ver se encontrava a menina.
- Mas me mostra ela aí, cara! Quem sabe eu não conheço... Posso até te apresentar, vá saber!
De repente, eis que ela surge do nada. Desviando das mesas, ela caminhava em nossa direção.
- Cara, olha ela ali? Você conhece? – perguntei, eufórico.
Depois de uns segundos em silêncio...
- Conheço sim! É a minha namorada...
Naquele momento – juro –, eu só queria um buraco para me esconder e uma boa dose de vodka para esquecer.

2 comentários:

  1. ÓTIMO,RSRSRSRSR,EU DORMIRIA O RESTO DA MINHA VIDA !!!!!!!

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