quarta-feira, 3 de março de 2010

apenas lembranças (mais um conto)

Hoje me bateu aquela vontade de ouvir a música que você mais gostava. Coloquei-a para tocar na minha velha vitrola – aquela, lembra? – e peguei uma foto que tiramos na primeira viagem que fizemos juntos. Você estava linda naquele vestido preto. Atrás do nosso retrato, tinha uma dedicatória sua, que dizia assim: “Pra você nunca mais se esquecer de mim”. Até parece que eu ia te esquecer, né? Lembro de você em todas as manhãs, principalmente naquelas em que sol vem me acordar com raios preguiçosos. Você é inesquecível pra mim. Acredite. Tão inesquecível como o seu olhar que aparece toda vez que fecho os olhos: ele vem para tomar substituir a escuridão. E que olhar lindo você tinha... Doce, meigo, inocente e maduro – tudo junto. Revirando aquela caixa de papelão em forma de coração, eu encontrei a nossa primeira aliança de compromisso. Foi aí que me lembrei do nosso primeiro Dia dos Namorados juntos. Acho que aquele foi o dia mais feliz da minha vida. Digo feliz porque foi naquele dia que eu percebi que o meu coração batia de uma forma diferente. Mais acelerado. Esquisito: ele está batendo do mesmo jeito agora. Queria que você estivesse aqui pra colocar a mão no meu peito para sentir. E olha: não sei se é coisa da minha cabeça ou do meu coração cheio de saudade, mas o seu perfume tomou conta do meu quarto. Até parece que você está aqui, ao meu lado... Bobeira minha: eu sei que Deus não pode te trazer mais de volta. Eu sei todas essas sensações são apenas lembranças.

2 comentários:

  1. DE NEUSA NAZARDI, VIA E-MAIL:

    é meu amigo, desta tal saudade, niguém escapa, basta estar vivo.... para senti-lá..... chorar ainda é o melhor remédio!
    Abraços,
    Neusa Zanardi

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  2. VOcê escreve muito bem, Vi!
    Amei essa crônica... e, realmente, saudade é uma coisa que a gente não tem como fugir. Mas eu aprendi que só se tem saudade do que foi bom...

    BJus
    Ari

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