quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

o barbeiro japonês

Aquele japonês não sai da minha cabeça. Quer dizer, do meu cabelo. Não adianta: toda vez que dou sopa em frente ao espelho, a imagem que reflete é a dele – a cara carrancuda, de eterno mau humor. Foi ele, o japonês barbeiro, que deixou o meu cabelo do jeito que está. Ridículo é pouco para tentar descrever essa obra de arte às avessas. Cortou o meu cabelo igual ao dele. Teria ficado com inveja da minha beleza capilar? Provável. Só sei que ele não poderia ter feito isso comigo. De jeito nenhum. Agora, sou obrigado a ouvir piadinhas sobre o meu novo corte. Ontem mesmo, um amigo, com uma risadinha sarcástica, disse: “Ficou bom o seu cabelo, Vinícius!”.
Entendeu por que estou querendo evitar o espelho?
Também, eu estou assim porque mereci. Não sei onde tinha deixado a cabeça quando resolvi entrar naquele salão esquisito, com ideogramas pichados por todos os lados, e com pilhas de livro em japonês. A cagada no meu cabelo foi anunciada assim que pisei naquela barbearia. O japonês apenas me indicou com o braço o lugar onde eu deveria sentar: o último assento, lá no canto. Depois que me acomodei, expliquei o que queria: “É só tirar um pouco aqui em cima e cortar com a tesoura as laterais, combinado?”. Ele apenas levantou a sobrancelha, sem dizer ‘sim’ nem ‘não’.
Começou com a máquina, que devastou as laterais. Achei esquisito, mas não falei nada. O espelho, naquela hora, me mostrava que seria bom eu mudar um pouco o corte. Apostei, então, na criatividade do barbeiro japonês. Mas, minutos depois, o meu pressentimento se tornou realidade: eu não deveria ter acreditado no talento dele. A máquina estava avançando as áreas nativas do meu cabelo. Pedi que parasse. E ele continuou, como se não estivesse ouvindo nada. Fiz sinal com a mão. Ele, enfim, parou.
Depois, pegou a tesoura e começou a cortar. Não parava mais. Parecia um louco sedento por cabelos. Queria cortar, cortar, cortar... Olhei para o espelho, dei uma leve virada para um lado, para o outro, e vi que não estava ficando tão ruim assim. Foi a segunda chance ao barbeiro nipônico. O problema, acredite, foi que ele voltou a se empolgar. E voltou com mais intensidade. Parecia ainda mais louco pelo meu cabelo, que nunca foi dos melhores. Ele se empolgou tanto que deu um talho na minha pseudo-costeleta.
- Aí não... Não corte aí, não. Por favor! – disse a ele, olhando pelo espelho.
O japonês arregalou os olhos, dando a impressão que tinha entendido tudo. Mas não. Ele voltou com aquela lâmina para cortar aqueles fios que, bravamente, haviam resistido à sua tesoura devastadora. Voltei a fazer um sinal com a mão. Chega. Ele, enfim, terminara aquilo que não deveria ter começado.
Paguei (sem piadinhas de mau gosto, ok?) e fui embora correndo de lá. Mais tarde, conversando com o meu irmão, fiquei sabendo: aquele japonês não fala, e nem entende, português. Está explicado o desastre no meu cabelo?

2 comentários:

  1. hahaha
    Vai no Pombo's que a cagada é menor! rs
    Ainda bem que cabelo cresce rápido!

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  2. rsrsrsrs
    adorei! me manda uma foto? to querendo ver seu novo corte...

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