segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

você até parecia gente...




Não sei onde você está agora. Tento imaginar.
Vejo você correndo por um gramado imenso, com aqueles trapos brancos na boca. Sinto que você está feliz e isso me conforta um pouco. Sua vontade -- me parece -- é de correr sem destino. De correr com aquela juventude de antes, que foi se esgotando aos poucos, como uma estrela que se finda lá atrás do morro em noite clara. Parece que você está sorrindo, como naqueles tempos em que brincávamos em casa.
E como eram boas aquelas tardes de domingo... Você, como sempre, deixava a minha mãe com os cabelos em pé. Sapeca como uma criança que acaba de descobrir o mundo, adorava se meter por entre as almofadas da sala. E, quase sempre, acabava pegando no sono. Até roncava, eu me lembro. Lembro, também, da vez em que você dormiu no meu colo. Você era pesado à beça. Também passava o dia comendo feito um cão doido.
Vivia atrás das pipocas que eu estourava aos sábados à tarde. Era só ouvir o barulho do milho arrebentando na panela que já pulava o degrau da área de serviço, passava pelo tanque feito um buscapé e parava na minha frente com aquele olhar de tristeza. Era impossível negar um punhadinho de pipoca, por mais que a recomendação do veterinário era para não dar a você 'comida de gente'. Confesso: o meu coração era mole demais para o seu olhar de compaixão.
Mas, agora, são tantas lembranças que invadem minha cabeça que afogam qualquer tipo de imaginação. Eu queria escrever mais. Queria contar aquela vez em que fez xixi no tapete novo da sala, da vez em que bebeu óleo de cozinha, da vez em que... Não consigo. A tristeza, com um pouco de angústia, bate forte aqui dentro.
Só consigo dizer que você vai deixar a melhor das lembranças, o melhor dos sentimentos, a melhor das sensações, a melhor das amizades.
Onde estiver, continue correndo daquele jeitinho -- com os trapos brancos na boca. Era lindo.

7 comentários:

  1. Poxa. Meus pêsames. Deve ser triste esse momento. Eu fiquei triste assim quando morreu minha tartaruga [foi o único bicho que eu já tive e morreu, porque peixinho de feira infantil não conta]. Mas o seu totó tava dodói? É tão ruim né... parece que fica faltando alguma coisa [e fica mesmo]. Mas com o tempo a gente acostuma com a dor e vai esquecendo dela.
    Beijos. E não fica pensando muito não que é pior.

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  2. Estava lendo seu blog no vnews e acabei chegando até aqui. Assim que comecei a ler este post meus olhos se encheram de lágrimas,pois lembrei da minha pequenininha que também morreu há pouco tempo. Foram 10 anos de alegria e companheirismo. Mas a dor da perda vai passar e restarão as lembranças de momentos felizes ao lado de seu cãozinho.

    Abraço

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  3. Ai Vini. Que triste! O Teco vai deixar saudades..lembra dos churras na sua casa?! Todo mundo sempre dava um pedacinho de carne pra ele!
    Mas enfim...é a vida.
    Fica bem meu amigo!
    Saudades.

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  4. Só um coração verdadeiramente humano, poderia descrever em palavras, sentimentos guardados lá dentro da alma.
    Você é grande menino, e seu cãozinho, deve estar feliz lá no alto, por ter tido aqui na Terra, alguem tão sensivel e especial como você.
    O importante é que ele te ajudou a ser feliz e vice versa, essa parceria não termina aqui, a energia fica, divirta-se com ele, todas as vezes que a saudade bater, pois ele verdadeiramente esta dentro de você.

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  5. Fico muito triste quando morre um bichinho. Os animais são mais importantes do que muitas pessoas. Eles são alegres, espertos, inteligentes e sinceros. Quando gostam de você, é verdadeiro e leal. Infelizmente as pessoas não são assim.

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  6. NEUZA ZANARDI, VIA E-MAIL:

    olá, que triste o seu amigo, partir..... mas é assim mesmo, qdo cumprimos o nosso tempo, vamos para outro plano e deve ser assim tbem, com os animais, que para nós que o amamos, são mais que humanos( são animais, pois são mais sensíveis que nós) e mais amigos!

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  7. Só quem já perdeu um cachorro entenderá seu post. Eu já perdi vários e entendo perfeitamente. O pior é saber que a dor da perda não passa "completamente" e que um cachorro nunca substitui o outro. Eles são únicos. O que fica são os momentos que vocês construiram juntos e que, com certeza, fizeram de você uma pessoa melhor. Força aí!

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