quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

o tarado da lanchonete de beira de estrada

A última vez que parei no acostamento da estrada para fazer xixi não foi lá uma das melhores experiências da minha vida. Confesso. Naquele dia, lembro bem, dois carros passaram buzinando, fazendo todo estardalhaço possível. Teve até um motorista que fez questão de reduzir um pouco a velocidade só para tirar a paz do meu momento sublime. “Para de mijar aí, ô pinto pequeno”, gritou o sujeitinho desocupado.

Não cheguei a ficar traumatizado, juro. Mas resolvi, a partir de então, ouvir a minha mãe e só parar para ir ao banheiro em postos, lanchonetes ou restaurantes – por mais ‘privada suja’ que fossem. E foi justamente um desses que encontrei na semana passada, quando estava viajando com a minha bexiga prestes a explodir. Não lembro muito bem como cheguei ao banheiro. Quando dei por mim, já estava lá – igual a um louco ensandecido.

Já dentro do banheiro-salvador, num dos poucos e raros momentos de lucidez, procurei os mictórios. Não encontrei. E também não procurei de novo. Tratei logo de entrar na primeira cabine na minha frente. Que alívio! Aquele foi, sem dúvida, o xixi mais longo da minha vida. Saí leve de lá. Acho que fui levitando até a pia. Lavei as mãos e fui secá-las.

Mas notei uma coisa estranha. Naquele banheiro tinha um fraldário ao lado da pia. Pensei: “O mundo está moderno demais. Esse fraldário, besta, deve ser para os pais solteiros”. Claro! Por que não seria? Continuei a me arrumar: ajeitei o cabelo, terminei de abotoar a calça... De repente, eis que surge uma alma feminina, com o seu jeito delicado e despretensioso de andar. A mulher me olhou dos pés a cabeça. Olhou com cara de desentendida e disparou:

- O que você está fazendo aqui?
- Xixi. Acabei de fazer! – respondi.

Meio sem graça e meio revoltada, ela avisou:

- Querido, você está no banheiro errado.

Deixei o banheiro correndo. A vergonha me impediu de lhe pedir desculpas. Fui para o balcão e bebi uma água só para disfarçar o vexame. Mas não deu. Quando estava saindo da lanchonete, quase entrando no carro, vi a mulher do banheiro me apontando para um sujeito. Devia ser o marido dela, creio. Não pensei duas vezes. Engatei a primeira e pisei fundo com mais uma lição na cabeça: é melhor ser chamado de ‘pinto pequeno’ do que ser preso e ficar conhecido como o tarado da lanchonete de beira de estrada.

Certeza.

Um comentário:

  1. Que infelicidade a sua, me lembrei até de uma piadinha.
    Um velho, acompanhado por neto, parou a beira da estrada para fazer seu xixizinho.
    Em um momento ele falou para o neto:
    _ Como é gostoso mijar no que é da gente.
    O neto assustado logo perguntou: _ mas essa fazenda é sua VoVô?
    O velho logo respondeu:_ não meu neto to falando do meu pé!!!!!!!!!

    Espero que quando parar na estrada não esteja molhando seus pés.
    Túlio Novaes

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