sexta-feira, 24 de abril de 2009

a nossa espera congênita de cada dia

Veja só: já nascemos com o hábito de esperar. Parece que essa mania está imersa nos nossos DNA. Estamos sempre esperando alguma coisa.

Por exemplo.

Vivemos à espera da volta daquele amor da adolescência que foi embora sem muitas explicações. Sonhamos e simplesmente esperamos que ela volte num final de tarde de domingo, entre o arco-íris, ao som de "All You Need is Love", andando de bicicleta, com um largo sorriso no rosto. Esperamos.

Adoramos esperar a ideia. Aquela ideia que vai nos salvar de todos os problemas. A ideia que vai encher as nossas contas bancárias, que vai nos fazer comprar aqueles carros de nomes complicados e que só vemos em capas de revistas. É essa a ideia que adoramos esperar.

Esperamos a sorte. É sempre assim. Vivemos esperando que ela bata à nossa porta do nada. Quando muito, nós esperamos que essa sorte venha por meio de uma promoção no trabalho ou por um bilhete da loteria premiado. Mas, cá entre nós: muitas vezes chegamos atrasados no trabalho e nem jogamos na loteria. Mesmo assim, esperamos.

Estamos, também, sempre à espera que dias melhores virão. E que ele chegará justamente no exato momento em que o mundo parece desabafar sobre nossas costas. Esperamos que esse dia surja por detrás da nuvem negra, trazendo a harmonia, a felicidade e tudo que esperamos ser de bom. Mas esperamos. Apenas.

Vivemos à espera do surpreendente. Um surpreendente indefinido que nem sequer tem forma ou cor. É a velha mania de que a solução dos nossos problemas está justamente naquilo que nem sabemos do que se trata. O surpreendente. É exatamente isso que esperamos.

Estamos sempre esperando a paz. Nossa, a paz! Como é bonita essa paz! Mas esperamos com a contemplação. E esperamos que essa paz esteja escondida numa esquina qualquer, perdida por aí. Esperamos encontrá-la jogada num canto do metrô, quem sabe; ou no banco do aeroporto. Vá saber. E que, assim que a encontrarmos, tudo irá se resolver.

Esperamos que a saudade que sentimos daquele amigo passe como a dor de cabeça do final de expediente que vai embora logo no primeiro gole de chope. Nós esperamos que esse amigo venha nos visitar e ele, coitado, que nós iremos o visitar. Enquanto isso, nós esperamos. Simplesmente.

Vivemos a esperar. Sentados ou não, estamos sempre assim: a esperar.

Um comentário:

  1. Lívia Guimarães Gussen27 de abril de 2009 08:45

    Lindo, Vinicius! Uma grande verdade essa: a gente vive na espera.

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