sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

peidaram no metrô!

Veja bem: não tenho nada contra o peido. Nada mesmo. Muito pelo contrário: analisando friamente (e bota friamente nisso!), acho a mais fantástica demonstração de quanto o nosso corpo é perfeito. Mas os elogios param por aqui. Chega. O pum não merece tanto – ainda mais depois do que ele me fez passar na semana passada.

Preste atenção e me diga depois se estou errado.

Estava frio em São Paulo. Chovia também. No metrô, muita gente para pouquíssimo espaço. E detalhe: as janelas estavam fechadas. Completamente fechadas. Lá pelas tantas da viagem, eis que surge algo denso no ar. Acredito que até mesmo a temperatura tenha subido um pouco. Enfim: soltaram uma bufa no metrô!

Foi terrível. Era um cheiro que beirava o insuportável – até mesmo para um olfato, digamos, menos apurado. Não tinha como escapar. Aquele bendito pum contaminou o vagão inteiro. Mesmo assim, tentei me esquivar. Mas foi inútil. O maldito cheiro ainda me perseguia. Cheguei a colocar, discretamente, a blusa no nariz, mas... O raio do peido foi bem dado! Certeiro – eu acrescentaria nesta falsa tentativa de descrevê-lo. Abre parênteses: ‘falsa’ porque internet não tem cheiro. Fecha parênteses.

Mais do que certeiro, o pum dado no metrô foi do silencioso, sabe? É o pior de todos! Talvez seja a categoria mais cruel e traiçoeira das flatulências. Traiçoeira porque eu suspeitei da pobre senhora gordinha que estava ao meu lado no trem. Desconfiei dela, a princípio, porque tinha cara de quem peidava no metrô. Mas, também, poderia não ser ela.

Enfim. Eu acho que foi sim, pensando melhor. Tenho provas. Veja só: ela foi a primeira a fazer caras e bocas. Depois, eu percebi que ela comentou alguma coisa com a passageira que estava do outro lado. Em seguida colocou a mão no nariz. Pronto: quer indício mais forte do que esse? Não existe. O autor do crime é sempre o primeiro a fugir (ou a comentar o desastre). É sempre assim.

E, falando em fugir, aí vai uma dica: não adianta peidar e sair correndo. Essa é uma tentativa completamente furada. A bufa, quando bem dada, é como se fosse um cometa com aquele rastro: se sair correndo, o cheiro vai se alastrando. Então, se peidar longe das quatro paredes do seu banheiro, já sabe: fique imóvel!

Mas não vou negar que, naquele dia, deu uma vontade louca de chegar na senhora gordinha para dizer que soltar pum não é crime. Longe disso. Afinal, todo mundo peida – até mesmo o Papa peida, ora bolas. Crime, no entanto, é soltar pum no elevador, debaixo do edredom (principalmente quando tem mais alguém embaixo dele) e, principalmente, no metrô. Isso sim. Crime é dividir o seu aroma com os outros.

Agora, me diga: tenho ou não razão de ficar zangado com o pum?

4 comentários:

  1. que fubá grosso mesmo. do jeito que vc está acostumado.
    e viva o metrô de São Paulo!

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  2. Pior seria se fosse da linhagem das flatulências barulhentas!!

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  3. Hei Vinicius, boa tarde. Suas crônicas estão ótimas. Essa do pum é demais no metrô deve ser ainda mais cruel , não?!. VÁ EM FRENTE CRIANÇA! SEJA FELIZ. Sucesso;

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  4. Querido amigo,
    um amigo meu leu sua crônica e quase teve um 'treco' de tanto rir.
    Sua nova vida em Sampa está rendendo belos textos. Isso é que é vida!
    Beijos.

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