domingo, 21 de dezembro de 2008

hoje é domingo. e daí?

Já tive relações mais estreitas com o domingo, principalmente quando eu era criança. Naquele tempo (e nem tanto tempo faz assim), o domingo tinha gosto de quintal da casa da avó. Era um tempo de liberdade misturado com faz de conta. Lembro que eu adorava acordar cedo, lá pelas sete e pouco, para ir à feira livre com o meu avô. Vivia dando palpites na hora de comprar morangos e galinhas.

Depois eu já ficava para o almoço. Primos legais reunidos. E as tias chatas também. Todo mundo naquela mesa gigante que era montada lá fora. À tarde, quando sol ia perdendo força, era hora do futebol. A bola rolava solta naquele terrão batido do Gama. Disputávamos clássicos memoráveis. Era a turma da nossa rua contra os moleques da rua de cima.

No jantar, para repor as energias do futebol, minha mãe trazia a macarronada – a mesma do almoço, que era requentada. E a noite acabava sempre assim... Com os meus olhos pregando em frente à televisão. Às vezes eu tinha que ir para o quarto andando; em outras, o meu pai me carregava até a cama. Quando eu acordava já era segunda-feira.

Mas enfim. Hoje é domingo e cá estou de pijama. Quase não sai deste apartamento. Sei lá. Estou achando os domingos de hoje chatos demais. Pode ser culpa do Faustão. Ou do Silvio Santos, quem sabe. A verdade é que os meus domingos perderam a inocência – talvez a alegria, vá saber – de ser criança. Pode ser isso. Caso eu resolva ir às ruas, não vejo ninguém. Todos estão trancafiados em casa. Até mesmo a boa e velha Marginal Pinheiros parece estar à minha disposição.

O domingo de hoje tem tom de preguiça. Aliás, é uma preguiça que contagia fácil, fácil. Um horror. E ainda tem outra: o domingo é dia de recusar convites. Veja só. Hoje mesmo a Flavinha, uma amiga de longa data, me convidou para irmos tomar cerveja na Paulista. Disse que não. Bota fé? Aleguei uma enxaqueca que pintou do nada para não ir e, depois, me esparramei no sofá (Desculpa, Flavinha: não tinha enxaqueca nenhuma).

E falando em sofá...

Abre parênteses. O domingo de hoje é isso. Sofá. Quem criou o sofá deve ter pensado justamente no domingo, um dia perfeito para esse móvel para lá de cômodo. Fecha parênteses.

Voltando ao domingo: nem mesmo ao cinema eu tenho ido ultimamente. Ando achando os filmes em cartaz chatos demais. Aquela atriz não me agrada mais e aquele roteiro dá sono. Tá tudo muito chato, isso sim! Os filmes que passam na televisão são melhores.

Quer saber a verdade? Estou com a depressão dominical. Já ouviu falar? É aquela tristeza profunda que aparece somente aos domingos. Você está dizendo que é por causa da segunda-feira? Não, não é. Eu adoro a segunda-feira, esqueceu? Deve ser o domingo por si só. Ou...

Será que estou ficando velho?

Meu Deus!

2 comentários:

  1. Coitada da Flavinha... hehehehe! saber assim por escrito.
    Você está ficando paulistano - isso sim.
    Venda o sofá, pegue aqueles copos de cerveja que você ganhou (lembra?) e chame os amigos para beber umas cervas no domingo. Ah!... antes que me esqueça - venda a TV também.
    Beijos

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  2. Nem me fale dos domingos da infância... qdo eu era criança, todos os dias eram domingo, até ir pra aula era um prazer! hj a vida parece se arrastar e, de vez em qdo, dá um prazer ou outro para q a gte não desista de se arrastar por mais uns metros.

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