terça-feira, 16 de dezembro de 2008

eu também quero buzinar

O que seria do paulistano sem a buzina? Eu mesmo respondo: nada! Ele não seria nada. Radicalizando um pouco: o motorista nem sairia de casa se o seu carro ou moto estivesse sem buzina. O paulistano não seria completo. Seria uma dançarina de axé sem bunda. Ou quase isso.

É incrível como o povo de cá gosta de buzinar. É impressionante. Eu acho que o motorista dirige com uma mão no volante e a outra na buzina. Nem rola aquela coçadinha bem discreta no nariz enquanto o semáforo está no vermelho. Porque o negócio é buzinar. Antes mesmo de o verde pintar, lá está o motorista barulhento atormentando a vida do outro.

E o pior você não sabe: essa síndrome é contagiante. Veja por exemplo o caso do motorista que buzina antes mesmo de o sinal abrir: ele manda ver na sua buzina para o da frente andar; aí o motorista da frente não gosta (e com razão) e responde com... Uma buzinadinha daquelas bem loooooongas, sabe? Bom, ferrou legal.

Você não faz idéia, mas o que ferra mesmo é buzinaço no congestionamento. Tem nego que acha que a buzina vai abrir caminho numa 23 de Maio completamente parada. Ora bolas, até parece! Esses motoristas andam se achando o Moisés, que abriu o Mar Vermelho para levar o povo de Israel à Terra Prometida, isso sim. A buzina – infelizmente ou felizmente, fique à vontade para escolher – ainda não tem esse poder. Ela só atormenta. Não ajuda em nada.

Também tem os motoboys. Esses, sim, adoram buzinar mais do que ninguém. Aliás, eles buzinam por precaução. Creio. Mas tem hora que eles exageram. Quer dizer, exageram não. Eu até entendo o significado da buzina dos motoboys: eles passam e buzinam para os carros só para tirar uma com a cara do motorista, do tipo “eu fui e você ficou”. Só pode.

Esse é apenas um dos diversos significados da buzina. Tem aquela que te chama de filho da, da, da... Você sabe do quê! Por exemplo: ontem mesmo eu estava indo para o shopping à noite quando, sem mais nem menos, levei uma buzinada. Assim, do nada. Foi aquela buzinada contínua e intensa. O suficiente para eu perceber que não havia dado sinal para entrar, mas tudo bem; são coisas que acontecem... Ninguém é perfeito, afinal.

Para ser sincero, eu nem liguei pra essa buzina. Sério. Eu fico mais preocupado com aquela buzina sem razão. Do tipo: você está a 90 quilômetros por hora numa Marginal Tietê lotada de radar (detalhe: 90 por hora é o limite de velocidade) e surge atrás, de repente, um carro numa velocidade impressionante. Daí, o cara começa a buzinar pra você andar rápido. Mas, pô: eu posso ganhar uma multa?! Ele não entende. Mesmo assim, quer buzinar!

Pois bem. Já entendi. A síndrome da buzina paulistana é incurável. E quer saber? Vou entrar nessa onda de buzinar também. Sairei pelas ruas buzinando feito um doido varrido... Ih, acabei de lembrar: meu carro tá sem buzina. Saco!

Um comentário:

  1. Lívia Guimarães Gussen17 de dezembro de 2008 10:46

    No trânsito todos gostariam de ser "Moisés" msm, mas é um saco ter q aguentar o businaço paulistano... pelo menos agora posso rir no trânsito qdo lembrar da sua crônica!

    ResponderExcluir